13 de fevereiro de 2010




- Ao longo de muitos anos, a mulher aprendeu a não andar de joelhos dobrados, de cabeça baixa.
Aprendeu a levantar sozinha, a enxugar as próprias lágrimas. Ela percebeu que podia ser muito mais do que diziam.
Aprendeu a tirar a roupa e a se mostrar sem medo.
E percebeu, que também sentia desejos, e gostava de senti-los.
E andando com as próprias pernas, ela percebeu que havia espaço suficiente pra ela em qualquer lugar, e aí decidiu ocupá-los.
Ela não se intimidou com o longo caminho que tinha para percorrer, para fazer com que os outros entendessem que ela tinha direitos aos direitos que lhe cabiam.
E ela na sua magnífica força e coragem, aprendeu a ser livre, a gritar quando tem vontade, a chorar quando precisar chorar, a sorrir mesmo quando a situação não lhe permitisse a sorrir muito. Mas acima de tudo aprendeu a ser forte.
De calça comprida, de salto alto, rosto pintado, cabelo escovado, ela aprendeu a ser muito mais que ser uma mulher vaidosa.
Ela aprendeu ao longo desse crescimento a ser idealista, determinada e precisa. Aprendeu a FALAR ALTO quando necessário. Mas não foi só isso que ela aprendeu. Ela aprendeu muito mais. Aprendeu com a vida, com a situação e com a dor a não ser apenas uma reprodutora como esposa, mas sim que ela é uma parte importante na história. E percebeu que se pode prevenir e escolher a hora certa de ser mãe sem ser pressionada.
Alguém que podia ultrapassar com ousadia e coragem os limites da hierarquia. Ela ensinou aos outros a terem respeito pela sua luta. Alguns entenderam, outros não (não tem importância também).
Ela aprendeu a tomar conta de si mesma, a tomar decisões e a não ter medo de dizer EU POSSO.
Aprendeu que não se deve ter vergonha do sexo, nem dizer que gosta de sexo. Aprendeu a tomar iniciativas e dizer NÃO quando necessário.
E perante os olhos intimadores dos homens, e de tamanha curiosidade, ela levantou a cabeça e mostrou que não era uma boneca de porcelana, mas que podia ser quebrada várias vezes, e que sempre conseguia se juntar sem perder nenhum dos pedaços.
Assim somos nós mulheres.
Bjs doces!
Virgínia Lupinni.
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